Cogitei elegância. Não era elegância talvez uma certa
desconfiança no ato de caminhar. Talvez aquela mulher nos lembrasse que é
preciso fazer cerimónia com o mundo, que isto aqui não é brincadeira, que isto
é coisa séria e perigosa, e que o simples gesto de pisar no chão já te confere
uma responsabilidade inimaginável. Ou talvez fosse apenas seu jeito de caminhar
e não tivesse nada a ver com responsabilidade e ninguém tivesse, aliás, nada a
ver com isso.
de: Adriana Lisboa
AZUL – CORVO (…sobre a pertença – Luiz Ruffato)
[prémio José Saramago]