Pedia-me que eu abrisse um livro
e procurasse o centro da casa
que lhe dissesse a palavra correspondente a mesa
mas também o som das loiças
os tapetes colados no chão
queria tocar a palavra que sentisse verdadeiramente a tristeza
e o seu coração móvel como uma vasilha de barro
por onde os meus lábios sugam todo o seu entendimento.
Eu lia-lhe as palavras mais limpas
não fosse a sua alma destruir-se contra a minha voz
e o olhar dela buscava a identificação de alguma coisa falsa
talvez a minha habilidade em poupar o seu sofrimento.
É uma doença a leitura que eu faço da casa
e dos dias na sua presença
tudo o que ela escuta é a perfeição da sua ignorância
nada é para destruir nas imagens que lhe apresento
a casa será sempre o centro do livro
e os lugares de dor algumas páginas emocionalmente vazias.
de: Fernando Esteves Pinto
em: Área Afectada
[Temas Originais, Ldª. 2010]