Dou um murro
na mesa pela falta das palavras
as folhas de
papel voam assustadas
sem a poesia
o mundo morre-me nos dedos
da mão
fechada que esbarra no silencio
e na dor da
ausência.
Dou um murro
no tempo dos nadas
para chegar
à melodia da palavra
que no
ventre do pensamento
anda de mão
dada com a solidão.
A palavra
espera por um sinal
pelo gesto
que acontece.
O murro é a
força motriz
do parto no
poema que nasce.
Eduardo
Montepuez