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27 setembro 2012

ANJO EM TRANSFIGURAÇÃO E MORTE





 
As cerejas em mosai
cos. Aquele era
transparente. Claro por cima das latadas.
Subtil. Tenro. Com figu
ra s antigas. As alego
rias em metamor
fose. Eu bebi o fil

tro de néctar. Ansi
ei. Tive desejo da
morte. Avancei para o fo
go. Esta água ateia-me.
As uvas ardem. Afi
nal o poema age. É
útil. Agitado. Possan
te como as labaredas

que nos tornam nítidos.
A luz delas e a Tua
morte. Tão claras que
desaparecemos. Tão visí
vel o fogo que o poe
ma está dourado. Apren
di antigamente a amar.
Bocas de fogo. Uvas de ouro.

Fiama Hasse Pais Brandão
[14 Polissílabos Sobre Anjos]






19 setembro 2012

A NUVEM SOBRE A PÁGINA





Semelhante à imóvel
transparência
à inesgotável face
à pedra larga onde o olhar repousa
Água sombra e a figura
azul quase um jardim por sob a sombra
a iminência viva aérea
de uma palavra suspensa
na folhagem
Semelhante ao disperso ao ínfimo
chama-se agora aqui o sono da erva
a ligeireza livre
a nuvem sobre a página

António Ramos Rosa
[A Nuvem sobre a Página(1978)]