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28 setembro 2014

PEDIA-ME QUE EU ABRISSE UM LIVRO





Pedia-me que eu abrisse um livro
e procurasse o centro da casa
que lhe dissesse a palavra correspondente a mesa
mas também o som das loiças
os tapetes colados no chão
queria tocar a palavra que sentisse verdadeiramente a tristeza
e o seu coração móvel como uma vasilha de barro
por onde os meus lábios sugam todo o seu entendimento.

Eu lia-lhe as palavras mais limpas
não fosse a sua alma destruir-se contra a minha voz
e o olhar dela buscava a identificação de alguma coisa falsa
talvez a minha habilidade em poupar o seu sofrimento.

É uma doença a leitura que eu faço da casa
e dos dias na sua presença
tudo o que ela escuta é a perfeição da sua ignorância
nada é para destruir nas imagens que lhe apresento
a casa será sempre o centro do livro
e os lugares de dor algumas páginas emocionalmente vazias.

de: Fernando Esteves Pinto
em: Área Afectada

[Temas Originais, Ldª. 2010]





06 março 2013

 
 
 
 
também este silêncio está como que ausente
quando recomeço a leitura dos teus lábios.
aqui, no limiar da pele, sou a única palavra
que arde em ti uma língua cheia de cantos e silêncios.
o poema és sempre tu:
corpo de luz frutífera
árvore acolhedora no peito das palavras.
 
linguagem devorante em fuga
sobre um invisível caminho.
 
Fernando Esteves Pinto
 
 
 
 
 

04 abril 2012

O TEMPO PERTENCE ÀS COISAS QUE OCUPAM O NOSSO CORAÇÃO [...]


[...]
Também as palavras e o silêncio
as palavras que alguém adormece na sua incompreensão
o silêncio atiçado pelo tempo
esse ferimento que rasteja numa voz profunda
a perturbação de um vazio
a ocupar um pensamento intenso

 Fernando Esteves Pinto