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17 outubro 2012

RUÍNAS

 
 
 
 
se é sempre outono o rir das primaveras,
castelos, um a um, deixa-os cair...
que a vida é um constante derruir
de palácios do reino das quimeras!
 
e deixa sobre as ruinas crescer heras.
deixa-as beijar as pedras e florir!
que a vida é um continuo destruir
de palácios do reino das quimeras!
 
deixa tombar meus rútilos castelos!
tenho ainda mais sonhos para erguê-los
mais altos do que as águias pelo ar!
 
sonhos que tombam! derrocada louca!
são como os beijos de uma linda boca!
sonhos!... deixa-os tombar... deixa-os tombar...
 
Florbela Espanca
 
 
 

06 abril 2012

ALMA A SANGRAR



Quem fez ao sapo o leito carmesim
De rosas desfolhadas à noitinha?
E quem vestiu de monja a andorinha,
E perfumou as sombras do jardim?

Quem cinzelou estrelas no jasmim?
Quem deu esses cabelos de rainha
Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha
Alma a sangrar? Quem me criou a mim?

Quem fez os homens e deu vida aos lobos?
Santa Teresa em místicos arroubos?
Os monstros? E os profetas? E o luar?

Quem nos deu asas para andar de rastros?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

Florbela Espanca
Charneca em Flor