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25 março 2015

HERBERTO HELDER


as minhas palavras são pequeninas para homenagear-te:
Poeta dos Poetas!
ESTARÁS SEMPRE ENTRE NÓS, TU BEM SABES.


23 Novembro de 1930 a 23 de Março de 2015


e porque porque gostas tanto, trouxe-te
BACH, como se fossem flores da Primavera, que renasce para saudar-te
na tua viagem

    
estilo

     Se eu quisesse enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa. Contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?
(...) pag 7

As crianças enlouquecem em coisas de poesia.
Escutai um instante como ficam presas
no alto desse grito, como a eternidade as acolhe
enquanto gritam e gritam.
(...)

   -  E nada mais somos do que o Poema onde as crianças
se distanciam loucamente.

Trata-se do excerto de uma poesia. Gosta de poesia? Sabe o que é poesia? Tem medo da poesia? Tem o demoníaco júbilo da poesia?
(...) pag 9

Herberto Helder
in: PASSOS EM VOLTA



20 agosto 2012

SÚMULA




Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma 
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas 
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

[...]

Herberto Helder




08 junho 2012

NÃO TOQUES NOS OBJECTOS IMEDIATOS



Não toques nos objectos imediatos.
A harmonia queima.
Por mais leve que seja um bule ou uma chávena,
são loucos todos os objectos.
Uma jarra com um crisântemo transparente
tem um tremor oculto.
É terrível no escuro.
Mesmo o seu nome, só a medo o podes dizer.
A boca fica em chaga.

Herberto Helder


20 março 2012

DURANTE A PRIMAVERA INTEIRA...


Não sei como dizer-te que minha voz te procura 
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite 
esplêndida e vasta. 
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos 
se enchem de um brilho precioso 
e estremeces como um pensamento chegado. Quando, 
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado 
pelo pressentir de um tempo distante, 
e na terra crescida os homens entoam a vindima 
— eu não sei como dizer-te que cem ideias, 
dentro de mim, te procuram. 

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros 
ao lado do espaço 
e o coração é uma semente inventada 
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia, 
tu arrebatas os caminhos da minha solidão 
como se toda a casa ardesse pousada na noite. 
— E então não sei o que dizer 
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio. 
Quando as crianças acordam nas luas espantadas 
que às vezes se despenham no meio do tempo 
— não sei como dizer-te que a pureza, 
dentro de mim, te procura. 

Durante a primavera inteira aprendo 
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto 
correr do espaço — 
e penso que vou dizer algo cheio de razão, 
mas quando a sombra cai da curva sôfrega 
dos meus lábios, sinto que me faltam 
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer 
coisa extraordinária. 
Porque não sei como dizer-te sem milagres 
que dentro de mim é o sol, o fruto, 
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe, 
o amor, 
que te procuram.

Herberto Helder
[excerto do poema "Triptico"]