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18 fevereiro 2013

DAS CLAREIRAS DOS BOSQUES

 
 
III

faz tempo as algas tinham braços
e reflectiam as alas da água em flores marinhas
inebriadas em redor pelo fósforo dos peixes
direccionavam faróis para as gemas das ilhas

faz tempo cruzavam a eternidade as bagas e os corais
em voos desdobrados, cumplices dos lagos,
e vinham dar à praia fadas e sereias em colmeias
fundeadas por âncoras e límpidas auroras

faz tempo os amantes vinham partindo e chegando à nave do dia
pelas rosas da tarde em dulcíssimos navios
e recolhiam a luz do silêncio imortal entre o centeio e o milho

faz tempo os humanos percorriam as pálpebras dos bosques
entre folhas de sol e abrigos de mel
[e eram estrelas]
ampliavam uma nova língua

se não fossem as algas que saberíamos da alegria?


Maria Azenha
in: De Amor Ardem os Bosques