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26 novembro 2014

INDICIOS





Fui dispersando indícios na esperança 
de que tu os juntasses e um dia
chegasses até mim como te queria
e cedo te sonhei desde criança.

Guardo ainda bem nítida a lembrança
do tempo em que sozinho percorria
as ruas da cidade estranha e fria,
certo de que quem busca sempre alcança.

Mas tu passaste e não deste por nada
e os indícios sumiram-se no fumo
do trânsito, entre as pedras da calçada,

e eu, que me dou aos desafios que assumo
e sei que a noite cede à madrugada,
levantei-me e segui um novo rumo.


de: Torquato da Luz
[26 de Novembro de 1943 - 25 de Março de 2013]






08 novembro 2014

AS NEREIDES






Pudesse eu reter o teu fluir, ó quarto 
Reter para sempre o teu quadrado branco 
Denso de silêncio puro 
E vida atenta 
Reter o brilho 
Da Cassiopeia em frente da janela 
Reter a queda 
Das ondas sobre a areia 
E habitar para sempre o teu espelho 
Que de meus ombros jamais tombasse o tempo 
Marinho misterioso e antigo 
Assim como as Nereides 
Não perderão jamais seu manto de água

de: Sophia de Mello Breyner





19 maio 2013

 
 


e tu,
vais-te embora? vais-te embora?...

não,
não te vais embora: fico contigo…

deixas-me nas mãos a tua alma,
como um casaco.


de:  Marguerite Yourcenar
aqui: http://falsolugar.blogspot.pt/2007/04/





 
 

28 outubro 2012

in: DE AMOR ARDEM OS BOSQUES



há lembranças que matam
há bosques onde os amados vivem para sempre
 
há um cutelo de água nas fontes
quando as palavras voam para muito longe
 
há a noite
e os cães que dormem em cordas de sono
em vogais de vento e abandono
 
há barcos que deslizam no horizonte
muito lentamente
e as estrelas descem por dentro dos mastros
na noite
 
há uma orquídea azul que se suicida
onde começa o teu nome

**

há um relâmpago martirizado em meu peito de cambraia
que teima em brotar laranjas de fogo

há um peixe alucinado que canta desmedido
em um céu de cisternas e serpentes

é dezembro, e os girassóis recolhem-se para dentro
- atravessam meu peito de agonia e ouro -
rasgam lenços de seda em minha casa d'Oriente

há sinos de sangue em molduras de sombra e vento
o Sol ilumina um jardim oculto
que te transforma em fonte
 
Maria Azenha