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02 março 2015

HOJE: 3º ANIVERSÁRIO DO 'POEMA'




LEMBRO-ME DE TI

lembro-me de ti 
nesse instante absoluto, 
a vida conduzida por um fio de música. 
intenso e delicado, ele vai-nos fechando num casulo 
onde tudo será permitido. 

se é só isso que podemos ter, 
que seja forte. que seja único. 
tão íntimo quanto ouvirmos a mesma melodia, 
tendo o mesmo - esplêndido - pensamento. 

de: Lya Luft





17 novembro 2014

OS SENTIMENTOS HUMANOS...





Os Sentimentos Humanos certo dia se reuniram para brincar. 

Depois que o Tédio bocejou três vezes porque a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. 

A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear. 

O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. 

A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a ideia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: “Ah, gente, vamos deixar tudo como esta”, e como sempre perder a oportunidade de ser feliz. 

A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. 

O Optimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo.

A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande, e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma, a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem frígida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais. 

A Mentira disse para Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão activo, e o Esquecimento já nem sabia o que estava fazendo ali. 

Depois de contar 99 a Loucura começou a procurar.

Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.

A loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.

Juntos fazem a vida valer a pena.

de: Lya Luft







10 abril 2014

CANÇÃO DA MULHER QUE ESCREVE



rafal olbinski


Não perguntem pelo meu poema:
Nada sei do coração do pássaro
Que a música inflama.

Não queiram entender minhas palavras:
Não me dissequem, não segurem entre vidros
Essas canções, essas asas, essa névoa.

Não queiram me prender como a um insecto
No alfinete da interpretação:
Se não podem amar o meu poema, deixem
Que seja somente um poema.

(Nem eu ouso ergue-lo entre meus dedos e perturbar a sua liberdade). 

De: Lya Luft





13 junho 2013

NÃO ACREDITES...



[...]

não acredites neste breve sono;
 não dês valor maior ao meu silêncio;
 e se leres recados numa folha branca,
 não creias também: é preciso encostar
 teus lábios em meus lábios para ouvir.
nem acredites se pensas que te falo:
 palavras
 são o meu jeito mais secreto de calar.

Lya Luft



31 março 2013

CANÇÃO DESSE RUMOR

 


quem - estando ausente - entra no quarto
 quem deita ao lado meu, quem passa
 no meu coração seus lábios quentes, quem
 desperta em mim as feras todas
 quem me rasga e cura
 quem me atrai?


 quem murmura na treva e acende estrelas
 quem me leva em marés de sono e riso
 quem invade meu dia após a noite
 quem vem – estando ausente -
 e nunca vai?
 
Lya Luft
 
 
 
 
 

30 novembro 2012

LYA LUFT


 
  
Alguém joga xadrez com minha vida,
alguém me borda do avesso,
alguém maneja os cordéis.
Mordo devagar
o fruto desta inquietação.
(Alguém me inventa e desinventa
como quer: talvez seja esta a minha condição.)

Bastaria um momento de silêncio
para eu ser feliz:
mas do fundo do palco
uma voz me chama.
Serás tu, amor,
ou é a morte, apenas, que reclama?

Lya Luft
 
fonte:
 
 
 

TEATRO DE SOMBRAS

Alguém joga xadrez com minha vida,
alguém me borda do avesso,
alguém maneja os cordéis.
Alguém me inventa e desinventa
como quer:
talvez seja esta a minha condição.

Alguém dirige o teatro de sombras
no qual fui ré setenciada.
Finjo entender de tudo:
ando de um lado e outro,
faço gestos com a mãos,
cuspo as sementes do fruto
entalado na garganta
com um grito: Alguém aí pode me ouvir?

Ninguém reage, ninguém tenta aplaudir:
nesse reino todos usam disfarces,
menos a solidão.

Lya Luft
 
fonte:

 
 
 
obs: eu apenas conhecia a segunda versão deste poema, estranhei encontrar a primeira que, confesso, desconhecia, deixo as duas aguardando ensinamento.
 
 
 

24 outubro 2012

CONVITE

 
 
 
 
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft