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03 agosto 2013

in: ÂMAGO

 
  
 
amor é o olhar total, que nunca pode ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão só próprio e bastante, em si mesmo absoluto e táctil,
que me cega, como a chuva cai na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre apenas à água.



fui criança, indo por um carreiro,
a caminho do mar, mão na outra mão,
entre árvores, pedras, insectos e aves.
toda a natureza me coube nas pupilas,
mestra de sentimentos, e eu discípula.
e, se fechava os olhos, ela punia-me
com o silêncio cruel das ondas,
a mudez imerecida dos insectos,
e a distância das aves, que doía.
se os abria, tudo me rodeava,
apaziguado e meu,
mas a mão que me trazia a mão
puxava-me para a luz de cada dia.

 
Fiama Hasse Pais Brandão
[cenas vivas]
 
 
 
 
 

09 novembro 2012



Este poema de amor
é bilhete sem destino
Não sei a quem entregá-lo
Não há nome no envelope
nem rua, nem direção
Ternura jogada fora
saudade apenas, sem fatos
que se possam recordar
este poema de amor
reincidente e insano
joga sal no oceano
transpira lençóis de insônia
esboça os traços de um rosto
traceja a forma de um corpo
apaga, torna a fazer
Vento vago que levanta
e logo depois deposita
palavras soltas, papel
este poema,
eu mesma,
este poema é ninguém.
 
de: Ana Mariano