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Como um Deus incompreensível
confundido pela própria argumentação
perguntando: «onde é que eu ia?»
Como uma pergunta
a que só é possível responder
com novas perguntas.
Como vozes ao longe discutindo:
«alguma vez deste ordens à manhã,
ou indicaste à aurora o seu lugar?»
Como um filme
em que tudo acontecesse
na escuridão do espectador.
Como o clarão da noite única
e vazia abraçando pela cintura
a jovem luz do dia.
Manuel António de Pina
