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12 abril 2012

CIÚME DE POETA?


Tenho acordado,
ultimamente,
com os aromas das flores de Abril enevoados,
a agonizar por entre as moitas do desânimo
e o gosto acre da chuva
derramada pelo temporal da tua ausência.

Abro a janela e vejo o horizonte
a ser puxado para baixo
a cada minuto que passa sem te ouvir
e o grasnado das gaivotas diz-me
que ninguém sabe de ti.

Roubo as asas de uma gaivota e vejo-me,
ofegante,
um trovador à procura do castelo da princesa,
alarmado e volátil como o espírito,
sem palavras de tormenta ou de bonança.

Do alto, vejo-te a sorrir num areal imenso,
beijando o mar a rugir de sofrimento e afastando
o arrepio dos ventos,
indiferente ao meu ciúme tresloucado
[ciúme de poeta?].

Exausto, tento abrigar-me da borrasca,
esmago,
apago,
restauro e
dilato
este sofrer de amar-te porque sim,
este enlevo de algemas
que de mim se faz teu prisioneiro
num jardim pejado de asas diárias de gaivota.

Moribundo,
a respirar páscoas de flores ausentes,
mergulho em calafrios de pétalas insípidas
à espera do encanto do teu cheiro.