Ninguém me disse, contemplei e percebi tudo
Tive noção do que foi o passado, o nosso chão
E senti as vidas de outros tempos junto ao corpo
Dançando à chuva, numa existência verdadeira.
Pertencemos junto às árvores, onde se sente o equilíbrio
Onde o ar sabe melhor e é mais fácil respirar.
As raízes do que somos estão onde devem estar
Cravadas na terra, em comunicação com o universo.
Pertencemos junto às árvores e junto aos rios
Ninguém me disse, percebi tudo sem pensar.
Senti, em volta do corpo, a energia de outras existências
Das suas vozes, das suas mãos estendidas sem receio
Se fechar os olhos, sinto-a e tudo faz sentido
Pertencemos junto às árvores e junto aos rios.
Tive noção do que foi o passado, o nosso chão
E senti as vidas de outros tempos junto ao corpo
Dançando à chuva, numa existência verdadeira.
Pertencemos junto às árvores, onde se sente o equilíbrio
Onde o ar sabe melhor e é mais fácil respirar.
As raízes do que somos estão onde devem estar
Cravadas na terra, em comunicação com o universo.
Pertencemos junto às árvores e junto aos rios
Ninguém me disse, percebi tudo sem pensar.
Senti, em volta do corpo, a energia de outras existências
Das suas vozes, das suas mãos estendidas sem receio
Se fechar os olhos, sinto-a e tudo faz sentido
Pertencemos junto às árvores e junto aos rios.
Nuno Marques
PROCURO...
O LUGAR DA CASA
Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.
Eugénio de Andrade
ATÉ QUANDO A COTOVIA VOLTAR A CANTAR
NUM ACENO DE ATÉ LOGO